Por Gustavo Wanderley – Casa da Ribeira
Parecia difícil, foi surpreendente.
Nenhum de nós que fazemos a Casa da Ribeira e o DoSol imaginava o sucesso que o Circuito Cultural Ribeira iria fazer. Nossa missão era difícil: reunir em uma mesma plataforma de gestão cultural sete espaços diferentes para promover a visitação sistemática do bairro da Ribeira através de uma programação que ao mesmo tempo em que preservasse o DNA de cada espaço cultural pudesse revelar a diversidade da cidade. Ampliar o olhar da população para importância do bairro como patrimônio cultural era e continua sendo nosso principal objetivo. O projeto ganhou força e cresceu além do que imaginávamos.
A estreia do Circuito Cultural Ribeira, em plena terça-feira de carnaval, superou em quase 300% nossas expectativas de público. Uma grande festa conseguiu reunir mais de 4000 mil pessoas para comemorar os dez anos das instituições, Casa da Ribeira e DoSol. De cara, a presença das pessoas e a forma como elas participaram já nos mostrava toda a potencialidade do viria pela frente.
Na nossa segunda edição, em abril, já estavam conosco o espaços culturais Buraco da Catita, Gira Dança, Central Ribeira, Espaço a Deriva e o atelier Flávio Freitas. A plataforma já reunia 07 espaços, todos oferecendo atrações gratuitas à população. Assim, uma agenda cultural estava criada: Circuito Cultural Ribeira #todoprimeirodomindodecademês .
A adesão da imprensa e da população foi ganhando proporções cada vez maiores. A adesão dos espaços também. Na terceira edição o Circuito já contava com 10 espaços, e fomos agregando mais e mais parceiros.
Hoje 13 espaços culturais estão no Circuito, além iniciativas espontâneas e articuladas, como o Cortejo da Lavagem do Beco, Artistas do grafite, Encontro de Dança, além de bicicletadas, poesias e tantas outras parcerias.
O último Circuito do ano não podia ter sido melhor. Por que? Porque simbolizou o que de melhor fez o projeto: parcerias. Fruto da articulação com a Semana da Música da UFRN, o Circuito Cultural Ribeira especial, nesta quarta, dia 12 de outubro, retratou bem o que o projeto conseguiu mobilizar.
A plataforma de gestão e comunicação, que é o Circuito Cultural Ribeira hoje, tende a crescer para novos horizontes e com ainda mais parcerias. A Ribeira precisa se consolidar como pólo de atratibilidade turística e como cluster criativo.
A Ribeira precisa ser um lugar para se viver e para se trabalhar, um lugar onde os produtos culturais são consumidos e produzidos. Um lugar de diversão, acolhimento e inovação. Um território multicultural, valorizando o local e conectado com o mundo. Um lugar que se alimenta da diversidade e da mudança.
O bairro continua descuidado e há muito que se fazer. Chamamos para nós a responsabilidade de dar visibilidade à Ribeira, de tomar cuidado com o nosso patrimônio e dedicar nosso tempo a um grito coletivo de alerta em prol do respeito a nossa memória.
Fechamos um ciclo com conquistas seguras. Vamos avançar sempre em parcerias. Esse é o jogo contemporâneo, sem adversários claros e com projetos para a coletividade.
Gustavo Wanderley
Especialista em gestão cultural e Diretor da Casa da Ribeira




Lirinha apresentou as canções de seu novo trabalho solo, “Lira”, no Festival do Beco da Lama
A banda Soatá (DF/PA) agitou o palco do DoSol durante a programação do Circuito Cultural Ribeira



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